quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aluguel

Já fez 1 mês, e eu ainda não contei como foi a história do aluguel do apartamento. Aqui vai:
Desde o dia 16 de agosto, quando chegamos aqui, minha ocupação principal era procurar apartamentos para alugar, e marcar visitas com os proprietários, que depois de conhecer todos os interessados, decidem, por sei lá que critérios, pra quem alugar.
Na segunda-feira, dia 30/08, tínhamos uma visita marcada ao meio dia, e uma às 7 da noite. Essas visitas são coletivas. Os proprietários marcam e anunciam no site onde o apartamento está anunciado, ou por email para os interessados (pelo menos nossas experiencias foram assim). Houve casos em que contamos mais de 10 interessados em uma visita. E encontrávamos as mesmas pessoas em várias visitas, era até engraçado.
Naquela manhã, decidi dar mais uma procurada nos sites, e achei um anúncio que havia sido postado minutos antes. Era de um apartamento no centro, que era o local de nossa preferência, e estava dentro da faixa de preço que podíamos pagar. A visita já estava marcada para aquele mesmo dia, das 14:00 às 18:00. Marquei no meu caderninho, e saímos. O roteiro seria: visitar o primeiro apartamento, almoçar alguma coisa, decidir a que horas visitar o outro ap (isso ia depender do andamento das outras coisas), visitar o das 19:00, e depois jantar no Egon (pra quem não leu um dos primeiros posts: http://www.egon.no/), pois segunda era dia de buffet de pizza e salada (estilo coma até morrer) por um precinho jóia. Nesse dia o Dani ia estudar em casa, não ia pra facu.
O apartamento que visitamos ao meio-dia era horrível. Sujo, porco, velho, com um monte de fio solto, que o marido engenheiro elétrico condenou até a morte. Saímos de lá 12:10, bem mais cedo do que esperávamos, já que o apartamento era ruim, e então resolvemos ir até uma escola que oferece aulas de norueguês, pois o atendimento aos interessados era toda segunda, até às 13:00. Chegando a 2 quadras da escola, tínhamos ainda meia hora para não perdermos o horário de atendimento. Foi quando encontramos um outro brasileiro que estuda na NTNU também. Fui apresentada, e começamos a conversar. A conversa se estendeu e quando finalmente chegamos à escola, já era 12:55. Tinha tanta gente lá pra ser atendida, que resolvi não esperar, deixando iso para a semana seguinte. Almoçamos lá na lanchonetezinha da escola mesmo, e então resolvemos visitar logo o outro apartamento às 14:00, para o Dani poder aproveitar melhor a tarde e estudar até a outra visita das 19:00. Chegamos uns cinco minutinhos adiantados, e quando subimos até o apartamento fomos recebidos por um meninão, que explicou q iria pra Escócia fazer o mestrado dali a 2 dias, e o apartamento era dos pais, que decidiram alugar, porque não tinham consigo vendê-lo. O pai, que mora em outra cidade, chegaria por volta das 17:00, pra decidir logo pra quem ele ia alugar, e que os primeiros a chegarem teriam preferência. Não preciso dizer que nos enchemos de esperança, né? Ficamos uma meia hora lá, e ninguém mais apareceu nesse período.
Voltamos pra casa, e havia uma coisa que nos afligia: não sabíamos se poderíamos assinar um contrato de aluguel, pois ainda não tínhamos nosso "RG" norueguês, que havia sido pedido pouquíssimos dias atrás, e demoraria por volta de 3 semanas. Mas isso não contamos pra ninguém.
Voltamos pro hotel, e um pouco antes das 17:00 o meninão me manda um e-mail dizendo que o pai dele tinha chegado, e queria nos conhecer. Pulamos da cadeira, nos trocamos, me penteei, maquiei, perfumei. Chegando lá, ele já tinha um contrato padrão, comprado na papelaria, e depois e 5 minutos de conversa, este contrato estava sendo informalmente traduzido para nós, e preenchido com os detalhes do apartamento. Combinamos então que faríamos o dépósito no banco (condição indispensável), e quarta-feira dia 1 nos encontraríamos com a mãe do meninão lá no apartamento mesmo com o comprovante de depósito e do pagamento do aluguel do primeiro mês. Ela nos daria a chave, e pronto! Mais que felizes, nem fomos ver o outro apartamento, e fomos jantar pizza e salada, o que virou nosso jantar de comemoração:

Contrato
Quarta-feira fomos ao banco fazer o depósito e descobrimos que não podíamos fazê-lo sem ter o bendito "RG"...
Já desanimei, achando que nada dava certo pra gente, que assim perderíamos o apartamento, etc. Resolvemos então explicar a situação pra nossa senhoria e propor o pagamento de dois meses de aluguel adiantado, que seria exatamente o valor do depósito, além de 2 meses ser o período em que qualquer das partes pode desistir do aluguel. E nos comprometemos a fazer o depósito assim que nossos documentos estivessem em ordem. E felizmente ela aceitou, depois de consultar o marido. E os dois são super fofos. Ela nos recebeu com uma orquídea, bombons e um cartão de boas-vindas.
Hoje já é dia 6 de outubro, e isso não foi resolvido ainda... Nosso RG chegou mesmo depois de 3 semanas. No outro dia já fomos ao banco pro Dani abrir uma conta, pra poder receber, pois o dinheiro que tínhamos a mão pro depósito acabou sendo gasto com as compras para a casa. O cartão do banco demorou 1 semana pra chegar. Quando chegou, fomos ao banco para fazer o bendito depósito. Isso foi feito dia 1 de outubro. Agora temos que esperar os papéis ficarem prontos, o que deve demorar mais umas 2 semanas. Ainda bem que os proprietários são gente boa, e como a senhora disse, "Aqui na Noruega as pessoas confiam umas nas outras."
Nesse post tem os vídeos do ap.

domingo, 3 de outubro de 2010

Fiasco

Eu já me gabei aqui dos meus dotes culinários, com descrições, reações e registros fotográficos. Mas a vida me fez calçar as sandálias da humildade, e parte deste aprendizado é publicar meu grande fiasco, assim como fiz com os grandes êxitos.
Depois de ter feito bacalhau, salmão, feijão, sopa, saladas e sanduíches diversos, um purê de abóbora com filé de frango que ficou esplendoroso, eu decidi fazer gelatina. E não consegui. Quem já sabe da história me indagou incredulamente "Como assim? É a coisa mais fácil do mundo!" Pois eu digo que não é. Ainda mais quando se é brasileira, onde as gelatinas vêm em envelopinhos de aproximadamente 30 gramas (eu sei porque fui pesquisar na internet...) com instruções de preparo, e de repente a pessoa se vê na Noruega, onde as caixinhas de gelatina têm assustadores 125 gramas, as instruções estão em norueguês, e o Google Translator te engana. Botei o triplo de água necessária, e depois de um dia verificando a gelatina que não endurecia, eu tive que aceitar o fato e literalmente "tomar"  toda aquela gelatina aguada.
Mas aprendi a lição e essa semana enfrentei o grande desafio novamente! Fiz de novo, e dessa vez ficou boa que só!
Mas o dilema continua: ainda não entendemos porque os 125 gramas daqui fazem a mesma quantidade de gelatina que os 30 gramas brasileiros. Mistério... muito maior que o caso Erenice.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Restrições etílicas (ou Eu, com cara de brota)

Este é mais um post cultural. Aqui a venda de bebidas alcóolicas é limitada. Existem lojas próprias para isso, com horário restrito. Até as que estão dentro dos shoppings respeitam este horário, ao invés de seguirem o horário comercial do shopping. Sabemos disso porque já batemos com a cara na porta dessas lojas 2 vezes, por termos chegado após o horário de atendimento.
Cerveja pode ser comprada no mercado mas, para nossa surpresa, também em horário restrito. Um dia o Dani passou no mercado pra mim, voltando da facu e, apesar do mercado ficar aberto até 23:00, o moço do caixa não pôde passar a latinha de cerveja que ele tinha pego, pois já era mais de 20:00 (!!)
No fim de semana estes horários são mais restritos ainda. Aos domingos as lojas especializadas nem abrem, e a seção de cerveja dos mercados fica fechada, ficando apenas as cervejas sem álcool pra fora, junto com os sucos e os refrigerantes.
Como o Dani passou o fim de semana com vontade de tomar cerveja (claro que ele podia ir a um bar, mas ele não estava a fim. Ele queria tomar em casa, de boa, enquanto estudava), ontem eu estava no mercado e resolvi comprar uma latinha pra ele. No caixa, cumprimentei a moça em norueguês, entendi quando ela me perguntou se eu queria sacola (que aliás é paga - de 70 a 90 centavos, depende do mercado), respondi - em norueguês - que não (pois sempre levo uma comigo, pra não precisar "comprar" outra). Aí ela falou alguma coisa que eu não entendi mas, como ela já tinha passado todos os produtos, achei que era o valor, então entreguei o dinheiro pra ela. Ela percebeu que eu não tinha entendido nada e me pediu - em inglês - pra ver minha identidade, pra ela poder me vender a cerveja. Alô? Faz tanto tempo que isso não me acontece, que demorei pra reagir. Quis dizer pra ela "Olha aqui, minha filha, eu já tenho 30 anos, entendeu? Não preciso mais ficar mostrando identidade pra comprar pinga". Mas resolvi entender aquilo como elogio. Por sorte estava com a minha carteira de motorista e entreguei pra ela, que demorou 3 horas pra achar a data de nascimento e só achou quando eu lhe perguntei, toda fofa: "Achou? 1980!"
E aqui vai mais um dado cultural: o ego de uma mulher vai às nuvens quando pensam que ela é mais jovem do que realmente é. E, em minha homenagem, uma foto que eu tirei assim que cheguei em casa, pra registrar minha carinha de brota daquele momento:
Fala sério, a mulher viajou, né?? Mas eu finjo que acredito... ; )

Fim de semana paulistano básico

Sábado passado resolvemos fazer um programinha básico: cinema e pizza. Em casa. Graças à internet mega-super-ultra-hiper rápida podemos virar ermitões se quisermos, e ainda assim assistir a todos os filmes existentes no planeta.
O filme foi "Querido John". Me acabei de chorar, o que também é bem básico, e a pizza foi de peperoni, comprada congelada, mas eu não me contive e tiver que incrementar, porque pizza sem muito queijo, tomate, azeitona e orégano não é pizza. Básico assim.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pra me redimir

Se você ainda não leu o post sobre a tragédia que acontceu com o Dani esta semana, leia aqui antes de saber porque eu tive que me redimir com ele.
Uns dias atrás fui em uma mercearia aqui na esquina, que pertence a um turco (não tenho cereza se ele é turco, mas deu pra entender). E adorei, porque tem coisas que não se acha num mercado comum, tipo: vários tipos de feijão, fubá, alguns legumes que ainda não tinha visto por aqui, produtos típicos árabes e, principalmente, o que me fez acreditar que estava tendo algum tipo de visão divina: leite condensado, da Nestlé, mas com rótulo em várias línguas:
Não comprei porque não ia usar, e quanto mais longe as tentações estiverem, melhor.
Mas depois do mal que causei ao Dani, quis me redimir. No dia seguinte, precisava ir ao mercado e, em vez de ir no que vou sempre, resolvi ir ao outro, na rua de trás. É mais careiro, mas tem mais variedade. E foi aí que achei estar vendo outra miragem: coco ralado. E, na hora, acendeu aquela lampadinha em cima da minha cabeça. Saí do mercado, passei no turco, cheguei em casa e, depois de aproximadamente 1 hora:

Bolo branco, normal, mas com cobertura tipo cocada. Sem modéstia, ficou dos deuses. Ah, e o mais importante: fui perdoada!!

Obs. É brincadeira, viu... o Dani não ficou bravo porque eu deixei ele careca. Pelo menos foi o que ele disse...

O Dani não é mais o mesmo...

... e a culpa é toda minha! Sim, mas antes de contar os pormenores dessa história quase trágica, preciso deixar aqui uma nota sócio-política-cultural: Aqui na Noruega, o governo deve garantir que todos os cidadãos tenham condições de ter uma vida confortável. Por isso, todos devem ter um salário que não lhes deixe faltar o básico para sua sobrevivência, não importando sua ocupação ou nível de educação. Por isso, serviços aqui são relativamente caros, se comparados aos preços de produtos manufaturados. Por exemplo, o barbeiro mais barato que encontramos por aqui custa cerca de NOK200 (R$70,00), enquanto uma máquina de cortar cabelo pode custar uma média de NOK400 (R$130,00). Por mim, não vejo problema em gastar NOK200 uma ou duas vezes por ano, mas o Dani ficou muito incomodado com a ideia de ter que gastar isso a cada 20 dias, principalmente ao pensar que com este valor ele pode fazer uma média com a patroa e levá-la pra jantar num restaurante bacaninha.
Sendo assim, compramos a tal máquina e é claro que eu, que nunca nem tinha pego em tal ferramenta, fiquei encarregada de operá-la. Diante de minha hesitação, o Dani disse "È simples, eu te mostro como o barbeiro faz. É só escolher o pente que corta no comprimento que a gente quer, e ir passando a máquina. A esposa de um cara lá da facu corta o cabelo dele, sem problemas."
Depois de ler o manual de instruções, que não me ajudou em nada, fomos realizar a tarefa. O Dani escolheu o pente (entre 6 opções) que ele achou ser o mais adequado pro comprimento que ele queria, e me instruiu "Passa reto, de baixo pra cima, sem fazer a curva da cabeça, pois o topo tem que ser acertado depois" Ah tá! Fácil. Fui aos poucos, com o ajuste de comprimento mais longo, e fui diminuindo aos poucos, pra não fazer besteira. Depois de um tempo, estava mais confortável e confiante. Foi quando ele disse "Agora temos que ver como você vai fazer o topo, porque meu cabelo é f#*% de cortar". E eu pensei "Como assim?? Há 15 minutos atrás era fácil, agora é f#*%????" Mas mantive a classe e prossegui. Até que tudo estava indo bem, lentamente, mas bem. Foi quando decidimos passar aquele primeiro pente na lateral novamente (depois de já ter usado uns 3), pra acertar, e aí dar os retoques finais. E eu pensei "Hum... o primeiro pente foi o de corte mais curto, então é só eu tirar esse e passar a máquina". Pois é, não era só isso. O que eu passei nele só não foi máquina zero porque o aparelho não tem essa opção.
Com aquele buraco perto da orelha, não teve opção, senão igualar tudo. Fiquei me desculpando o restante do tempo, enquanto ele tentava disfarçar a cara de pânico.
No final, não ficou tão ruim assim. Pior ficou o banheiro e as nossas roupas, com fios de cabelo em todas as frestas.
E é assim que lhes apresento o novo Daniel de Almeida Fernandes:

ANTES

DEPOIS

De volta, mais uma vez

Voltei, depois de sumir de novo. Várias coisinhas pra contar, e as contarei segundo a memória mandar. Sigam-nos os bons.